O Pacto Empresarial pela Integridade e Contra a Corrupção foi lançado no dia 22 de junho de 2006, por iniciativa do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, UniEthos - Formação e Desenvolvimento da Gestão Socialmente Responsável, Patri Relações Governamentais & Políticas Públicas, Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), Escritório das Nações Unidas Contra Drogas e Crime (UNODC) e Comitê Brasileiro do Pacto Global.
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- Sustentabilidade e Ética
Mário Sérgio Cortella

O filósofo Mário Sérgio Cortella, professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), fala para a Empresa Limpa sobre sustentabilidade e ética e faz comentários sobre o desenvolvimento sustentável nas empresas e a erradicação da corrupção.

Cortella graduou-se em Filosofia pela Faculdade de Filosofia Nossa Senhora Medianeira e tem mestrado e doutorado em Educação pela PUC-SP. É professor-titular do Departamento de Teologia e Ciências da Religião e da Pós-Graduação em Educação da PUC-SP, na qual está desde 1977.

Empresa Limpa – A questão da sustentabilidade tem sido amplamente discutida em toda a mídia e dizem que está na moda. Como o senhor analisa o fato de essa pauta vir à tona diariamente?

Mário Sérgio Cortella – É preciso distinguir sempre a honestidade de propósitos daquilo que é mero oportunismo. Muitos daqueles que hoje trazem à tona o simples discurso o fazem por acreditar que é possível trapacear também nessa temática. Pura ilusão. Tal como escreveu Ary Barroso na canção Risque: “Creia, toda quimera se esfuma, como a brancura da espuma que se desmancha na areia”. No entanto, há inúmeras pessoas e organizações que colocam a questão da sustentabilidade como um princípio vital, impregnado de sinceridade e cuidado com o futuro. É a tais iniciativas que precisamos dar publicidade. Já para as quiméricas intenções, a publicidade é para desmascará-las.

EL – Como o senhor relaciona a sustentabilidade com a ética?

MSC – A ética, antes de tudo, é o conjunto de valores e princípios que usamos para decidir a nossa conduta individual e coletiva, com a finalidade principal de proteger a vida em suas múltiplas manifestações. Ora, a assunção do princípio da sustentabilidade é parte integrante de nossos valores éticos, o que implica em tê-lo como fonte essencial para assegurar a produção do “agora”, sem que o “depois” perca vitalidade.

EL – E qual é o papel da empresa no desenvolvimento sustentável?

MSC – A empresa verdadeiramente compromissada com a comunidade na qual se insere sabe que sua função primordial é elevar essa comunidade, em vez de exauri-la. Assim, ao lado de lucratividade, rentabilidade, produtividade e competividade, fatores de sustentabilidade interna à organização, é preciso ampliar a idéia de desenvolvimento como aquele que afasta a exclusão e a vitimação de qualquer pessoa. Em outras palavras, é a empresa que diz e pratica o não-fazemos-qualquer-negócio.

EL – Como o senhor analisa o Pacto Empresarial pela Integridade e contra a Corrupção?

MSC – O Pacto é um compromisso de recusa, recusa ao apodrecimento das relações sociais, recusa aos fatalismos que supõem ser a degradação ética uma imutabilidade, recusa à lógica homicida. Por isso, o Pacto é um compromisso que afirma a urgência de edificar uma sociedade na qual a lisura seja um horizonte contínuo.

EL – O senhor acredita ser possível resgatar valores dentro das empresas e erradicar a corrupção?

MSC – A corrupção é uma possibilidade da liberdade humana e sua erradicação suporia uma perda desse atributo. Por isso, os valores a serem consolidados são aqueles que cerceiam, impedem e deslegitimam o uso dessa liberdade de forma deletéria e narcísica. Isso as empresas têm de fazer, sob o risco de penetrarem no território da “resignação como cumplicidade”.