Alípio Casali, coordenador e responsável pelos seminários da CPFL, fala sobre os trabalhos que tem desenvolvido na CPFL e quais as perspectivas.
Casali é filósofo, mestre e doutor em Educação pela PUC-SP, na qual é professor titular da Pós-Graduação em Educação, e pós-doutor em Educação pela Universidade de Paris. Foi membro do Conselho Municipal de Educação de São Paulo e publicou diversos artigos e livros na área da Educação.
Empresa Limpa - O senhor é o responsável pelos seminários relacionados ao Código de Ética da CPFL dirigidos a todos os colaboradores da empresa. Qual será a espinha dorsal desse trabalho?
Alípio Casali - A série de seminários tem como objetivo geral divulgar, disseminar e internalizar o novo código de ética e de conduta empresarial da CPFL em todos os seus públicos. Nesse processo, daremos especial atenção às vulnerabilidades éticas do dia-a-dia da empresa e às soluções cotidianamente elaboradas pelos colaboradores para esses problemas. A idéia é exercitar a identificação de critérios de conduta ética no código, para que os colaboradores possam reconhecê-los e adotá-los.
EL - Quais são os principais temas a ser trabalhados?
Alípio - A temática do código é ampla e diversa. Por isso foram escolhidos alguns focos de atenção, como sustentabilidade, assédio moral, transparência, conflitos de interesse, qualidade de vida, voluntariado e os princípios do Pacto Global da ONU (particularmente direitos humanos e práticas anticorrupção).
EP - Serão realizados vários encontros entre seminários e reuniões, separados por níveis hierárquicos. Por que essa divisão? Segundo Mário Sérgio Cortella, em sua palestra no dia do lançamento do Código de Conduta, é importante olhar o outro no mesmo nível. Essa separação não estaria conflitante com a idéia de sustentabilidade, de dignidade coletiva? Como o senhor analisa essa questão?
Alípio – A separação por hierarquia traz perdas e ganhos. É muito difícil, do ponto de vista prático-operacional, juntar diferentes públicos. Haveria ganhos com isso, sem dúvida. Mas, trabalhando-se com públicos específicos, outros ganhos podem ser alcançados, como objetividade na identificação dos problemas e soluções e linguagem mais adequada, do ponto de vista da programação e dos discursos. Não obstante, gerentes e líderes locais participarão dos seminários dirigidos ao quadro operacional, para ouvir diretamente dos colaboradores a indicação dos problemas e as propostas de solução. Já nos dois ciclos de seminários anteriores, o de 2001 e o de 2003, agimos dessa forma e foi muito proveitoso.
EL - Quantos serão os seminários? Qual o prazo de finalização dos trabalhos?
Alípio – Serão quatro séries, cada uma para um grupo específico, envolvendo cerca de 1.800 colaboradores, entre funcionários, prestadores de serviços etc.
EL - Haverá uma avaliação dos seminários?
Alípio - Sim, todas as atividades serão avaliadas individualmente e depois será feita uma avaliação geral de todo o projeto, a qual será disponibilizada no relatório final.
EL - O senhor tem alguma informação a acrescentar que julgue pertinente?
Alípio - Eu enfatizaria a metodologia dos seminários, fortemente participativa, permitindo que os participantes falem dos problemas éticos do seu cotidiano e indiquem soluções. Isso está ligado a outro aspecto importante, que é a valorização dos conhecimentos e da capacidade dos colaboradores de reflexão e solução de problemas. A metodologia valoriza também a capacidade de leitura e de argumentação dos participantes. Cada grupo contará com a participação de uma bibliotecária, com uma banca de livros e textos, estimulando os colaboradores a investir em leituras sobre o tema. Foi assim nos dois ciclos de seminários anteriores, com grande sucesso.