O Pacto Empresarial pela Integridade e Contra a Corrupção foi lançado no dia 22 de junho de 2006, por iniciativa do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, UniEthos - Formação e Desenvolvimento da Gestão Socialmente Responsável, Patri Relações Governamentais & Políticas Públicas, Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), Escritório das Nações Unidas Contra Drogas e Crime (UNODC) e Comitê Brasileiro do Pacto Global.
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- Corrupção é crime hediondo
ODED GRAJEW

Oded Grajew: empresário e líder de movimentos do terceiro setor. Para Grajew, problema não é culpa de ninguém em especial, mas de um ‘processo doente’, que precisa mudar

Moacir Assunção

O empresário e líder de movimentos do terceiro setor Oded Grajew qualifica a corrupção, principalmente a praticada em nível governamental, de “crime hediondo”. Na opinião de Grajew, que acaba de lançar o Movimento São Paulo: Uma Outra Cidade, para estimular a participação dos cidadãos, há pouca compreensão da sociedade sobre o verdadeiro papel dos recursos públicos na melhora da qualidade de vida. “Quem rouba dinheiro do povo comete crimes contra a saúde, quando contribuintes morrem na fila, e contra a educação, cada vez mais precária em todos os níveis.” Para ele, a saída é mudar o processo, fazendo com que a população exerça seu poder.

O caso do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), seria um mau exemplo?

Sem dúvida. Ele disse que os recursos não declarados seriam oriundos de “atividades agropecuárias”, como se sonegar não fosse crime, e isso não pode ficar assim. Alguém que ocupa um cargo tão importante precisa ser muito mais cuidadoso com seus atos do que o cidadão comum. O caso é absolutamente surrealista.

Como se explica essa contaminação do processo político?

É como se fosse um câncer. A doença se espalha por todos os espaços da sociedade e pelos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. A corrupção não é culpa de ninguém em especial nem o brasileiro é mais corrupto que outros povos. O processo é que está doente e sua lógica precisa ser mudada. A situação é grave e precisamos fazer algo.

Como mudar essa lógica?

Pela exemplaridade. Precisamos desenvolver novos métodos de trabalho até para demonstrar que é possível termos outra sociedade, baseada em valores ligados à ética e à honestidade. O Movimento São Paulo: Uma Outra Cidade tem exatamente a proposta de, com sua rede de 280 entidades da sociedade civil, ajudar a desenvolver um instrumental para que o cidadão possa cobrar, com qualidade, governantes e legisladores.

Quais seriam os instrumentos?

Os governos, de uma maneira geral, não têm metas ou programas, principalmente nas prefeituras. Em todas as nações politicamente mais evoluídas, a discussão do Orçamento é o principal momento da cidadania. Aqui, não existe o hábito de debater esse tema, de grande relevância. Com isso, a sociedade não sabe onde são aplicados os recursos e deixamos os corruptos de mãos livres para agir, sem nenhum controle social. O movimento está montando tabelas de metas com a participação de cidadãos comuns, formas de acompanhar políticas públicas e indicadores que podem ser utilizados por políticos, mas cuja execução cobraremos com certeza. O espaço está aberto para sugestões no site Nossa São Paulo.

Quem é: Oded Grajew

É formado em engenharia pela USP e pós-graduado em administração pela FGV

Participou da fundação do Pensamento Nacional das Bases Empresariais (PNBE)

Criou a Fundação Abrinq pelos Direitos da Criança

É o atual Presidente do Conselho do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social