O Pacto Empresarial pela Integridade e Contra a Corrupção foi lançado no dia 22 de junho de 2006, por iniciativa do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, UniEthos - Formação e Desenvolvimento da Gestão Socialmente Responsável, Patri Relações Governamentais & Políticas Públicas, Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), Escritório das Nações Unidas Contra Drogas e Crime (UNODC) e Comitê Brasileiro do Pacto Global.
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- Corrupção é mal pandêmico
Eliseu Visconti

Eliseu Visconti
Escritor, jornalista

O Instituto Gallup divulgou uma pesquisa, feita com 61.600 pessoas, em 61 países, denominada 'A Voz do Povo,' que parece confirmar a opinião geral, de que políticos são desonestos. Nada menos de 60% dos entrevistados afirmaram sua descrença na classe política, índice que na América Latina aproxima-se da totalidade (77%). Outras categorias profissionais mereceram melhor avaliação, situando-se os professores e os jornalistas no alto da lista. Advogados, por outro lado, levaram a nota mais baixa do povo: só 3% confiam neles, enquanto que políticos e sindicalistas só convencem 4% dos entrevistados. Mas afinal, o que caracteriza a corrupção, que parece ser hoje mais um componente do caráter individual da humanidade, do que um ligeiro tumor, fácil de extirpar?

Neste momento, grande parte da população mundial sofre as conseqüências de atos corruptos, e muita gente preocupa-se com o seu combate. Uma rápida pesquisa no Google, baseada na palavra 'corrupção,' revelou nada menos do que 2.830.000 sites relacionados com o assunto. Centenas de grupos, organizações estatais ou não, faculdades e cientistas tentam entender as causas e venenos para este mal, que cresce a cada dia.

A corrupção prejudica o desenvolvimento. Dois economistas do Banco Mundial, Daniel Kaufmann e Aart Kraay, elaboraram um banco de dados com indicadores de boa governança de 160 países, incluindo o combate à corrupção e concluíram que se a corrupção no Brasil se agravar até atingir um nível extremo, comparável ao dos países mais corruptos, a renda per capita brasileira ficará 75% menor em oito décadas. Mas se alcançássemos o nível de honestidade da Inglaterra, a renda per capita ficará quatro vezes maior no mesmo período.

Segundo informações da revista Veja, o Ministério Público estima que, entre 1993 e 2000, fiscais desonestos, que agiam na prefeitura de São Paulo, impediram que R$ 13 bilhões fossem arrecadados. O mais comum é que a propina sirva para acelerar a burocracia. Aparece, neste ponto, um dos principais ingredientes desta sopa de dejetos, que é a corrupção: 'criar dificuldades para vender facilidades.' A burocracia sem sentido é o habitat ideal do corrupto, que promete agilizar processos, perdoar contravenções, 'quebrar o galho,' enfim, em troca de facilidades.

Combinada com a impunidade, a burocracia floresce qual enxertia perfeita e bem acabada.

Neste país, poucos foram os investigados, julgados, condenados e que cumpriram penas rigorosas, apesar das denúncias e evidências. É claro que toda esta covardia institucional - aceitação do crime e sua impunidade - permeia a sociedade e contamina os seus integrantes. Perde-se a noção do que é permitido ou não, do que se pode ou não fazer, e deterioram-se as noções de ética e até mesmo de patriotismo.

Felizmente, existem pessoas e instituições empenhadas em reduzir a corrupção, que está entranhada na humanidade, desde que uma serpente subornou Eva, que por sua vez fez Adão se perder. Em 2001, o Banco Mundial (WB) criou o Departamento De Integridade Institucional (INT, em inglês), para investigar denúncias de fraude e corrupção nos projetos financiados pela entidade, bem como desvios de condutas dos seus empregados. Cada denúncia é investigada, e o seu resultado é publicado, no clima de transparência exigido nestes casos. A pena é a suspensão dos envolvidos do relacionamento com o Banco, o que não é pouco, se considerarmos o seu volume de empréstimos e o eu prestígio internacional.

O WB criou, ainda, o Programa de Divulgação Voluntária (Voluntary Disclosure Program, em inglês) concebido para identificar fraudes e corrupção em projetos financiados pelo banco, com a participação voluntária de firmas e pessoas.

A idéia evoluiu e já conta com a participação, numa força-tarefa, de organismos como os Bancos de Desenvolvimento Africano e Asiático, o BIRD, o Banco Europeu de Investimentos, o BID e o FMI.

Cresce a consciência para a erradicação deste mal pandêmico, façanha difícil, mas não impossível. A receita é fechar as portas ao crime, punir tanto a corrupção passiva como a ativa. Não vale fingir que o dinheiro que o sujeito pôs no bolso caiu do céu.

Machado de Assis comentou uma vez :'Dizem que a ocasião faz o ladrão, mas a ocasião somente favorece o furto. O ladrão já nasce feito.'