O Pacto Empresarial pela Integridade e Contra a Corrupção foi lançado no dia 22 de junho de 2006, por iniciativa do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, UniEthos - Formação e Desenvolvimento da Gestão Socialmente Responsável, Patri Relações Governamentais & Políticas Públicas, Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), Escritório das Nações Unidas Contra Drogas e Crime (UNODC) e Comitê Brasileiro do Pacto Global.
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- Corrupção inevitável
Editorial - O Tempo

Editorial
Corrupção inevitável


O deputado federal Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, presidente da Força Sindical, está sendo acusado num relatório da Polícia Federal de receber propina por intermediar um empréstimo de uma prefeitura paulista junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

O deputado, que goza de foro especial para ser processado, ainda não se pronunciou.
Promete fazê-lo esta semana em reunião de seu partido, convocada por ele mesmo. Enquanto isso, o fato gera desconforto a alguns próceres do PDT, como os senadores Cristovam Buarque e Jefferson Perez, e ao próprio governo, que tem o partido como um dos seus aliados, pelos problemas que alguns de seus membros - como o ministro Carlos Lupi, acusado de privilegiar ONGs -, têm lhe trazido.

A Polícia Federal descobriu por meio de escutas telefônicas e outros métodos inconvencionais que, por trás de aparências respeitosas, uma quadrilha agia para subtrair recursos do Estado. Para ser rigorosamente verdadeiro, ela não fazia mais do que fazem muitos outros esquemas montados para se apropriar dos recursos do Estado. A diferença é que foi apanhada com a boca na botija.

A cobrança de comissões e o tráfico de influência constituem verdadeiras instituições no Brasil. Não existem muitas obras públicas em que uma parte do dinheiro não corra para as mãos que estejam por perto. A novidade é que, agora, os beneficiários são outros, advindos de setores que antes não tinham acesso ao poder. Entre os que chegaram lá com Lula está uma parte do poder sindical.

O presidente tem sido leal e justo, distribuindo o poder de que dispõe. Mais: tem inclusive relevado as derrapadas morais desses auxiliares. Essa aristocracia sindical está tendo a sua hora e vez. Tem assento em órgãos importantes como o BNDES, está presente em fundos de pensão e nos conselhos de empresas privatizadas. Com tanto poder, ceder à corrupção é quase inevitável.