O Pacto Empresarial pela Integridade e Contra a Corrupção foi lançado no dia 22 de junho de 2006, por iniciativa do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, UniEthos - Formação e Desenvolvimento da Gestão Socialmente Responsável, Patri Relações Governamentais & Políticas Públicas, Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), Escritório das Nações Unidas Contra Drogas e Crime (UNODC) e Comitê Brasileiro do Pacto Global.
Você não o plug-in necessário para visualizar este site, clique aqui para instalar.

Após a instalação, feche todas as janelas do seu navegador e abra novamente o site.

  Entrevistas
   
Boas práticas
----------------------------------
Entrevistas
----------------------------------
Downloads
----------------------------------
Palestras
----------------------------------
Links
----------------------------------
Artigos
----------------------------------
Boletins Informativos
----------------------------------
Biblioteca virtual
----------------------------------
Vídeos
----------------------------------
Reportagens Especiais
----------------------------------
Publicações
----------------------------------

Patrocínio:

  

  

  

  

  

  



Apoio:

  

  

  


   
- Corrupção global
Bruno Speck

• Nascido na Alemanha, em 1960
• Formado em ciência política pela Universidade de Freiburg, na Alemanha
• Doutorou-se pela mesma universidade com a tese Corrente do pensamento político-social no Brasil no século XX
• Foi diretor de pesquisas da Transparência Brasil e hoje é consultor na América Latina da Transparência Internacional, sediada em Berlim
• É professor da Unicamp

Cientista alemão diz que desvios em dinheiro de campanha não é “coisa nossa” e afirma que o brasileiro está cada vez mais exigente com políticos

Luiz Cláudio Cunha

Em meio ao baixo-astral da corrupção do mensalão, quantos não pensam que essa praga é coisa nossa e que o País não tem jeito? Mas o cientista político alemão Bruno Wilhelm Speck, há dez anos no Brasil, diz que escândalos de corrupção na seara política são doenças que atacam todos os países: pobres, em desenvolvimento e ricos. Speck lembra que na Europa pipocam escândalos. O auge foi nos anos de 1980 e 1990, quando a opinião pública européia percebeu que a corrupção não era um mal apenas de país pobre ou em desenvolvimento. Políticos de esquerda, de centro e de direita estiveram no olho do furacão de escândalos: financiamento de partidos, com dinheiro de caixa 2, com participação de empresas fantasmas no exterior, deputados “comprados” por poderosos interesses, políticos tentando tirar proveito pessoal de seus cargos. Speck diz que é uma atitude de autoflagelação achar que corrupção é um mal intrínseco à cultura brasileira. Ele afirma que há uma série de vacinas para diminuir os focos de corrupção no organismo político. Ressalta que o importante é o nível de sensibilidade da população à praga da corrupção. Ele acredita que o brasileiro está cada vez mais exigente. Speck lembra que o primeiro grande escândalo de corrupção política da Alemanha aconteceu em 1975. Uma grande empresa, Flick, obteve favores do governo e financiou partidos. Em 1999 o ex-chanceler Helmut Kohl, do Partido Democrata Cristão, admitiu que arrecadou dinheiro de caixa 2 para o seu partido. A sociedade alemã foi se tornando cada vez mais exigente a cada pancada que recebia dos políticos. Há três anos, deputados e ministros usaram, irregularmente, milhas de companhias aéreas para fins pessoais. Um escândalo que aqui seria apenas motivo de piadas resultou na renúncia de vários políticos alemães, batizados pela mídia local de “delinqüentes das milhas extras”. Ainda não chegamos a esse ponto.

ISTOÉ – Em meio a mais esse escândalo político, aumenta a sensação de que a corrupção se enraizou no Brasil, desde o seu descobrimento. Como alemão, como o sr. percebe esse sentimento que toma conta do brasileiro?
Bruno Speck – Há uma tendência de autoflagelação e resignação. É a crença de que a corrupção é intrínseca à cultura e à história brasileira. Muita gente cita a carta de Pero Vaz de Caminha quando chegou ao Brasil, na qual ele teria até pedido emprego. São coisas folclóricas. Eu não vou muito nessa não. A corrupção pode ser combatida, diminuída com medidas que dificultem a sua ocorrência, seja em licitações, seja em financiamento de partidos.

ISTOÉ – A corrupção em países em desenvolvimento como o Brasil é maior do que no chamado Primeiro Mundo?
Speck – Isso é relativo. Quanto mais a população desenvolve sensibilidade política, mais a corrupção se torna um problema para os governos. O importante é o nível de tolerância de uma sociedade com deslizes dos políticos. Por exemplo, na Alemanha houve um escândalo em 2002 envolvendo políticos governistas e da oposição que usavam, ilegalmente, milhagens de companhias aéreas para viagens pessoais (esses políticos foram batizados pela mídia alemã de “delinqüentes das milhas extras”). Alguns renunciaram e se afastaram da vida pública. Então, um escândalo de uso inadequado de milhagem aérea que derruba políticos na Alemanha pode ser tão sério quanto um escândalo que envolve, entre outras coisas, o uso de caixa 2 no Brasil.

ISTOÉ – Na Alemanha também há muitos problemas de financiamento ilegal de partidos e políticos?
Speck – Um dos grandes escândalos foi o que envolveu o ex-chanceler Helmut Kohl em 1999 (que governou por 16 anos e foi chamado de “o pai da reunificação alemã”). Descobriu-se que ele financiava o seu Partido Democrata Cristão (CDU) com dinheiro de caixa 2 no exterior. Aí tem paralelos com o Brasil. Na Alemanha esse dinheiro do caixa 2 também foi usado para fazer política dentro do próprio partido de Kohl. Ele pôde apoiar financeiramente seus amigos nas disputas internas.

ISTOÉ – E no que deu esse escândalo na Alemanha?
Speck – O Partido Democrata Cristão teve negado seu acesso ao fundo partidário no ano seguinte. Depois houve uma reforma política que aumentou as punições dos responsáveis por caixa 2. (Isso aconteceu depois que Helmut Kohl admitiu ter recebido doações ilegais de mais de 1 milhão de euros.)

ISTOÉ – Como combater a praga da corrupção em financiamento político?
Speck – Esse é um tipo de corrupção “democrática”: ocorre em todos os lugares. Não há um remédio universal para combatê-lo. Na Alemanha, o primeiro grande caso de corrupção política aconteceu em 1975 e foi batizado de “Escândalo Flick”. Era uma poderosa indústria que teve um grande desconto no Imposto de Renda e ainda a permissão do governo para fazer uma vantajosa transação econômica. Em troca, a Flick deu dinheiro regularmente a vários partidos. Foram instaladas várias comissões parlamentares de inquérito. A investigação durou anos. O escândalo foi desvendado na década de 1980. Resultou em várias reformas do sistema de financiamento político. (No final, renunciaram o presidente do Parlamento Federal alemão, o Bundestag, e o ministro da Economia.)