O Pacto Empresarial pela Integridade e Contra a Corrupção foi lançado no dia 22 de junho de 2006, por iniciativa do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, UniEthos - Formação e Desenvolvimento da Gestão Socialmente Responsável, Patri Relações Governamentais & Políticas Públicas, Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), Escritório das Nações Unidas Contra Drogas e Crime (UNODC) e Comitê Brasileiro do Pacto Global.
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- Corrupção política
Julio César Cardoso*

A corrupção política é o principal câncer que corrói as instituições nacionais. Se fosse fácil implantar ´tolerância zero´ para combater esse terrível mal, sobraria muito dinheiro para aplicar no social. Mas o caminho mais razoável para o bom combate é a execução da tão decantada reforma política, bem como a revisão constitucional.

Quem não sabe que o Brasil é um somatório de pequenos e grandes problemas jamais resolvidos pela corja política aqui instalada há muito tempo? A corrupção política está transformada numa universidade pública com professores habilidosos para ensinar e formar discípulos por muito tempo. E não vejo perspectivas positivas para o futuro próximo enquanto não forem realizadas uma reforma política séria e uma revisão constitucional com a participação substantiva de toda a sociedade organizada.

O povo, o verdadeiro agente da democracia, sempre foi escanteado de participar dos problemas nacionais, de se manifestar sobre os legítimos anseios sociais, de ter voz ativa no Congresso etc. A Constituição brasileira, por exemplo, essa colcha de retalhos que vem sendo mexida e remexida ao sabor do gosto da política dominante, foi elaborada sem a participação expressiva da sociedade, que não foi ouvida e que não pode expressar o seu sentimento verdadeiro e democrático. Ela, a Constituição, foi elaborada sob uma orientação puramente política, pós-período de exceção, com falhas lamentáveis como, por exemplo, o preconizado voto obrigatório.

O nosso Congresso Nacional, com raras exceções, é constituído por políticos indecorosos e carreiristas de cabide de emprego e pouco produz. A maioria só está de olho nas benesses públicas e não defende os verdadeiros anseios sociais. É um Congresso muito distanciado do povo, daquilo que ele realmente pensa, no qual os parlamentares, depois de eleitos, não cumprem as suas promessas de campanha, não defendem os interesses sociais e cometem os mais condenáveis atos de conduta ilibada e, o pior: não são defenestrados, cassados os seus mandatos, porque somente a assembléia de indecorosos congressistas tem esse poder, e o povo não.

Por isso, a moralização política, a redução da corrupção, a verdadeira reforma tributária para redução de impostos, a injustificável indicação presidencial para preenchimento de vagas nos tribunais superiores, etc., são problemas que somente podem ser resolvidos com a revisão constitucional e uma grande reforma política, que assegure mais poder ao povo, para poder fiscalizar e cassar os políticos indecorosos que denigrem a imagem do Congresso e da Nação.

A política brasileira está precisando de um pouco de democracia direta ou indireta para que o povo exerça o seu verdadeiro papel de agente positivo da democracia e não sirva apenas de trampolim, em eleição, para os políticos alcançarem o poder.

( juliocmcardoso@hotmail.com )