| |
 |
O Pacto Empresarial pela Integridade e Contra a Corrupção foi lançado no dia 22 de junho de 2006, por iniciativa do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, UniEthos - Formação e Desenvolvimento da Gestão Socialmente Responsável, Patri Relações Governamentais & Políticas Públicas, Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), Escritório das Nações Unidas Contra Drogas e Crime (UNODC) e Comitê Brasileiro do Pacto Global.
Você não o plug-in necessário para visualizar este site, clique
aqui para instalar.
Após
a instalação, feche todas as janelas do seu navegador e abra novamente o site.
|
 |
|
|
|
|
 |
| - A Corrupção na Era Colonial |
 |
Eduardo Bueno - Jornalista, Historiador e escritor
|
O jornalista, historiador e escritor Eduardo Bueno, fala sobre seu novo livro que trata a origem da corrupção no país. Autor de diversos títulos sobre história do Brasil, Eduardo Bueno fala nesta entrevista ao Instituto Ethos sobre a corrupção na era colonial. O historiador traça um paralelo entre o Brasil de hoje e o do ano 1500 e atenta: a sociedade civil é a chave para uma mudança social. Polêmico e com grande senso de humor, Eduardo Bueno se tornou um grande fenômeno editorial do país nos últimos anos.
Instituto Ethos: Seu novo trabalho A Coroa, a Cruz e a Espada – Lei, ordem e corrupção no Brasil Colônia toca em um ponto de grande interesse para todos os brasileiros, que é a corrupção. De que forma as práticas ilícitas aparecem naquela época? Eduardo Bueno: Tão logo Portugal e Espanha iniciam suas conquistas ultramarinas fica claro que eles precisavam de um corpo administrativo e burocrático nas novas terras. E precisavam da justiça também. Era preciso exportar o aparelho judiciário para que houvesse a aplicação da lei e da cobrança. Isso formou uma teia infindável de funcionalismo público. Este funcionalismo, cheio de nepotismo - os “filhos da folha”- se torna um grupo perpetuador de amigos, parentes e filhos que se mantêm no poder durante anos. Este é o problema! O problema é que esse corpo burocrático se torna corrupto. E o órgão central da rede de corrupção era o judiciário: juizes e desembargadores. A corrupção acontece exatamente no seio do judiciário.
Instituto Ethos: O que você chama de “filhos da folha”? Eduardo Bueno: Aquela rede de privilégios criada no funcionalismo público era mantida através dos “filhos da folha”. Eram os filhos dos juizes, dos desembargadores que seguiam o mesmo caminho do pai, a mesma carreira. E essa era a única forma de entrar mesmo. Então eles seguiam a carreira do pai e entravam diretamente na folha de pagamento da burocracia.
Instituto Ethos: Então quer dizer que o nosso governo já foi criado corrupto? Eduardo Bueno: Se Portugal já era corrupto, imagine o que ele enviou para cá? (fala com ironia) O Brasil era feio, longe, pobre. Só veio o pior!(bravo) O Brasil não rendia nada! Então precisava render alguma coisa. Portugal devia mais que o seu próprio PIB. Agora é importante falar que o funcionalismo público e o judiciário eram corruptos, mas e a sociedade civil? É fácil acusar, mas a sociedade civil também teve grande parte nisso. Os empreiteiros portugueses que já viviam no Brasil fraudavam as licitações sempre que podiam. A construção da cidade de Salvador custou quatro vezes mais o que deveria ter custado.Portugal gastou 1/8 do seu PIB para construir o Brasil. Se não fosse pela corrupção, eu estimo que isso poderia ter custado a metade.
Instituto Ethos: E como é encontrar evidências da corrupção? Eduardo Bueno: O então corregedor da Justiça em Portugal Pero Borges - que na época correspondia ao ministro da Justiça – foi um dos grandes corruptores da época. Ele se envolveu num caso de corrupção durante a construção de um aqueduto onde ele era o supervisor. Eu consultei os autos deste processo. As provas são cartas de inimigos e vereadores da época para o rei, pedindo que fosse investigado a obra deste aqueduto, que nunca ficava pronto. Houve uma CPI deste caso. E as evidências são as cartas que as pessoas escreviam. E esse homem foi enviado para o Brasil como primeiro ouvidor-geral. Então se lá ele já fazia o que fazia, imagine aqui. E o rei ainda deu uma pensão anual de 40 mil réis a esposa de Borges, enquanto ele estivesse no Brasil.
Instituto Ethos: Dá para traçar um paralelo com a corrupção de hoje em dia? Existe alguma similaridade? Eduardo Bueno: Embora seja arriscado comparar a corrupção de lá e de cá o fato é que existe uma similaridade muito grande entre as duas. Apesar de ser uma época diferente, uma sociedade diferente, os mecanismos são aterrorizantemente semelhantes. Quem eram os corruptos? O judiciário, os empreiteiros...! Você vê alguma familiaridade nisto? (se irrita) Era o mesmo “ESQUEMÃO” (fala pausadamente, letra por letra) que vemos hoje!
Instituto Ethos: De que forma esse período colaborou para a desigualdade que vemos hoje no Brasil? Eduardo Bueno: A nossa desigualdade vem de uma dura herança ibérica, sim. Mas o Brasil aprimorou! (fala bravo). A gente poderia ter se livrado disso em 1822, quando Brasil se tornou independente. Porque não é desculpa para o que está acontecendo hoje aqui. Mesmo porque hoje Portugal está muito bem e a gente não. Na época, Portugal era um dos países mais corruptos da Europa. E sabe por que a corrupção acabou? Porque a sociedade civil passou a exercer a sua função. Portugal tem hoje uma sociedade civil muito forte. É questão de exercer cidadania, de dar educação ao povo.
Instituto Ethos: De que forma o seu livro pode ajudar no combate a corrupção? Eduardo Bueno: Eu costumo dizer que povo que não conhece sua história repete os mesmos erros.
Instituto Ethos: E os outros setores? A classe empresarial, por exemplo? De que forma eles poderiam se articular no combate a corrupção? Eduardo Bueno: A classe empresarial deve exercer um controle mais efetivo do governo, deve ser mais eficiente e, principalmente, ser decente nas suas ações. |
|
|
|
 |
|
|
|